... graças a mudanças no comportamento dos donos de animais de estimação
A grande vedete dentro desse mercado é o segmento de saúde animal. Impulsionado pelo avanço da tecnologia, esse nicho avança na casa dos dois dígitos - a projeção é que cresça 13% em relação a 2015, quase o dobro do mercado pet como um todo. ( matéria publicada pela VocêS/A - edição de dezembro/16)
Mas o que faz essa área se destacar tanto num período em que as pessoas estão cortando gastos? A resposta é simples: a mudança de comportamento dos donos dos bichos. Nos últimos anos, os animais de estimação passaram para dentro das casas e ganharam o status de membros da família.
"Como sobem no sofá, dormem no quarto e dividem o ambiente com as crianças, eles passaram a ser mais bem cuidados por seus donos. A atitude, que antes era curativa, se tornou preventiva", diz Gustavo Moraes, diretor de negócios da unidade pet da MSD Saúde Animal, que no ano passado (2015) faturou 576 milhões de reais no Brasil.
Essa transformação de perfil chacoalhou a área de animais de estimação da MSD. Nos últimos dois anos, metade da equipe foi substituída ou remanejada e investiu-se pesado no desenvolvimento de pessoas e na criação de novas vagas. Só neste ano, foram sete contratações, três delas em nível gerencial.
A Zoetis, fabricante global de produtos farmacêuticos animais, também surfa a onda dos medicamentos inovadores que surgem para conquistar um dono cada vez mais exigente. Além de lançar o próprio antipulgas oral, para enfrentar a concorrência, a companhia aposta em um remédio sem corticoide para romper o ciclo de coceira e inflamação associado às alergias.
Com esses lançamentos, a empresa, que no último trimestre faturou 56 milhões de reais no Brasil, espera retomar o ritmo de crescimento, que sofreu uma desaceleração no primeiro semestre de 2016 em relação a 2015. "Já sentimos ânimo no mercado e temos uma boa perspectiva para 2017", diz Tiago Papa, diretor da unidade de animais de companhia da Zoetis.
Outro nicho que tem brilhado é o de rações medicamentosas, que auxiliam no tratamento de doenças renais, cardíacas e de pele. Mesmo com valores salgados - um pacote de 10 quilos pode custar 180 reais -, não há estagnação nem queda nesse segmento. Só neste ano, a Royal Canin, uma das maiores fabricantes de alimentos especiais do mundo, lançou sete produtos - 70% deles rações medicamentosas -, como uma linha especial para combater a obesidade de cães e gatos. Para 2017, há mais oito lançamentos programados. Cães de pequeno porte e gatos - cuja população cresce duas vezes mais rapidamente do que a de cachorros - estão entre as principais apostas da empresa.
"Comparados com a grande massa de ração, esses alimentos representam 5% do mercado. Mas é possível dobrar esse percentual em cinco anos", afirma Frederico Giannini, diretor de vendas da Royal Canin. Segundo ele, foi a certeza desse potencial que levou a empresa a ampliar em 6% o quadro de funcionários em plena crise. "Cerca de 50 pessoas foram contratadas em todas as áreas estratégicas da companhia", diz.
A ampliação é resultado dos investimentos que a Mars, norte-americana detentora das marcas Royal Canin, Pedigree e Whiskas, tem feito no Brasil. No ano passado, a empresa anunciou um aporte de 250 milhões de reais para turbinar a área de petcare. Uma parte foi usada para a expansão de fábricas como a de Descalvado (SP), onde fica a produção da Royal Canin; outra, para incrementar o portfólio; e a terceira, para construir uma fábrica em Ponta Grossa (PR), que ficará pronta em 2017.
Segundo André Prazeres, líder da comissão de animais de companhia do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), essa indústria se tornou uma boa opção para veterinários. "Como a área clínica é ultracompetitiva e demanda investimento, oportunidades corporativas são bem-vindas", diz. Além de pesquisa e desenvolvimento, as áreas comercial e de marketing também geram vagas para profissionais com outras formações.

